sábado, janeiro 27, 2007

red flag


um novo filme de clint eastwood desperta curiosidade e é normalmente uma boa escolha, para mais tratando-se de uma historia baseada em factos veridicos decorridos na 2ª guerra. flags of our fathers segue uma sequência de filmes maiores deste realizador que como ninguém ultimamente, provou saber contar a mais simples das historias da forma mais reveladora e cativante possivel. eastwood mostrou ser capaz de fazer sobressair a essencia dos gestos e dos laços emocionais sem ser suficientemente directo para cair na lamechisse. como bom contador de historias cativa a audiencia e certifica-se que em nenhum momento a perde mesmo quando no final da historia desvia o rumo dos acontecimentos (e o moral) para o imprevisivel. em mystic river e million dollar baby tudo parece cirurgico para nos levar a entrar na personagem e nos contagiar com toda a sua condição humana.
o novo filme fica muito áquem deste resultado. falta-lhe a consistência dos anteriores. a história, muito mais rica/complexa, deixou de ser simples e fácil de contar evitando que os detalhes e subtilezas ganhassem dimensão. a reconstituição da invasão de Iwo Jima exigiu uma grande produção (batalhões de gente, efeitos especiais, guarda roupa...) que talvez tenha desviado a atenção de eastwood das inumeras oportunidades que a mesma lhe dava para voltar a fazer aquilo em que é mestre.
o drama das personagens principais foi pouco e mal explorado. a batalha que podia "salvar-se", ainda que a espaços muito bem filmada, perde por ser inteiramente contada segundo a visão de uma das partes (efeito deliberado dado que a versão japonesa da história dará lugar a um segundo filme) . na fase em que o pseudo-heroismo dos personagens era usado em beneficio da angariação de fundos para a guerra, as vidas dos três homens dispersam e o filme não é capaz de as cruzar. as interpretações também não ajudam e o resultado é uma desilusão.
esperemos que letters from Iwo Jima redima clint eastwood.

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